a noite passada exististe tanto
na margem do meu sangue...
formalizei-te tão presente
que de súbito não eras uma estrela
ou um aroma místico de sândalo
e eu não tinha um lírio entre os dedos
mas o teu nome e a tua possibilidade
eram bastantes para me seres corpo
e encanto
galguei o sonho e o rio que nos abate os corpos
e adormeci na tua (impresença) tão forte e imensa
que entraste inesperado pela porta
do meu sono e te fizeste real presença
o resto não é prosaico nem banal
nem a poesia o diz, um ramalhete de impressões
de cores e até de expressões,
tudo em ti existia e eu soube a diferença
entre a visitação e a evocação, entre
o sonho do sono e o sonho que se quer sonhar
sim, eras tu a noite passada a rasgar
o rio deserto que nos comporta a existência
o rio deserto que nos comporta a existência
de manhã abri o livro do dia com o sorriso
ao sol e nem a tua cronografia despida de emoções
apagou o projector
o filme continua a passar repetidos
os mistérios mágicos do amor...
.´.´.´.´.´.´.´.´.´ boa noite .´.´.´.´.´.´.´.´.´.´.´