todas as vias
são vias ínvias, íntimos lugares
todavia nunca visitados ou vistos ainda.
percorremos pelo olhar o fundo de todas as marés silenciosas em busca da vida.
buscámos-nos em ruelas de sentido único, cafés vazios e esplanadas empilhadas de ausências profundas. concluímos sem hesitar: a nossa existência é um lugar visível, um estado de nudez que não conseguimos disfarçar. tão vulneráveis viajantes no vazio, concluis. a vida vaga-nos todas as vias, mas não nos permite desvios. num dia qualquer descobrimos que já fomos tudo que nos era possível ser, e não sabemos como ser mais alguém. supõe um desvio, na via próxima da possibilidade. uma estrada prependicular ao passado, um desvio do devir. viras a quilha do barco para sudoeste e imaginemos que fazes tudo de modo diferente. já não és o mesmo, ousaste. és livre de ti mesmo, porque ousaste o novo caminho, aquele que nunca foi opção. hoje equaciono-me nas vias que nunca me foram alternativas. busco dentro de mim o novo olhar. talvez a via que me leve ao tempo da opção, sem me despojar do que sou. quando foi o tempo da opção? ontem? há cinco anos? eu sou a única opção que me resta. que opção te resta a ti? somos deterministas por opção, ou já nos determinaram deterministas?