como a ave paira no ar
assim nós na tarde nos paramos
a planar entre plumas de paixão
sem planos nem outras pulsões
para além dos pontos finais
do nosso corpo e outras exclamações
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meu amor, estas tardes são peixes
em água tão doce e leve
que o mundo marulha aos nossos pés
como um oceano feito de linho
tardes passadas no fundo em limo
de um lagoa solta nos sentidos
é uma nuvem a nave que nos leva
eu sou matéria incandescente
e tu o combustível mais urgente
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acendo agora o círio das palavras
pois o nosso mundo é uma imagem desfocada,
nas sombras alvejo a névoa que te traga
na penumbra sinto melhor o meu adagio
das memórias de mel e malvasia
a nossa existência indefinida
rasa o coração metódico da vívida
fantasia
«»
não importa que a cal se desprenda
do quarto ardente, é uma lentidão das horas
em queda, deixa que que a cal se levante
e nos queime a pele
ainda não sabemos se não será este
o nosso frasco hermético de um presente
em mútuo mel
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