hoje não houve chá desbragado, (talvez desproporcionado) nem poemas insípidos pela tarde. os jogos florais com sabor a jasmim e a saquinhos de alfazema foram adiados por falta de auditório. não houve cicio íntimo, nem o arrolhar serpenteante das rosas tentadores. as paixões não metralharam a tarde e o corpo não escreveu palavras proibidas de viver. não, hoje não escalei a montanha fechada. deixei a montanha repousar sob as suas sombras centenárias. e o Domingo escoou-se em memória de todas as cascatas que fui deixando secar... o Domingo foi um grito do corpo que quis crescer. agora estala-me a pele de sol e de frescura, de sono e de vigília, de paixão e de indiferença. todos os opostos se cruzam no meu corpo. sou um terminal de dia, quase vazio e sonolento. poucos partem, poucos chegam. o mesmo mísero silêncio dos lugares de passagem. todos os sentidos se cruzam na minha viagem. nem o amor nem a morte me esperam. e porém tudo me parece doce e selvagem, no lugar onde os sentidos se estravazam.